"Vira a chave", corneteiro
Penso que Marchiori estava seguro de um trunfo - ou pelo menos apostando alto
Quem achava que a expressão “virar a chave” seria apenas uma estratégia de Fernando Marchiori, técnico do XV de Novembro de Piracicaba, para escapar da pressão da torcida pelo mau desempenho do time no Paulista A2 e iniciar com nova psicologia o Brasileirão Série D, percebe agora, após enfrentar o Nova Iguaçu – que o esquadrão venceu por 4 a 1, no Barão da Serra Negra, neste sábado (4) –, que ele sabia o que estava falando.
Penso que Marchiori estava seguro (ou pelo menos apostando alto) de um trunfo, que eram os novos jogadores que trouxe para compor o elenco, cuja maioria só pode jogar na série D do Brasileirão, porque não há mais espaço para enxerto no Paulista A2. São nove novos integrantes, desconhecidos inclusive da maioria dos seus torcedores, sendo que seis entraram em campo neste primeiro jogo do campeonato contra o time carioca. Ou seja, metade do time piracicabano foi renovada, com possibilidade de mais renovação ainda pela frente.
O Nova Iguaçu, por sua vez, veio apagado, sem gás suficiente para enfrentar o esquadrão, que se posicionou marcando o adversário logo na saída de bola. Marcação alta, bem alta e rápida. Coisa que não se via em jogos da Série A2 apresentados pelo XV até agora. E o time encontrou um bom entrosamento, com passes precisos e finalizações objetivas. Um outro time, que surpreendeu.
Mas um time não pode ser avaliado apenas por um jogo e no Brasileirão tem ainda muitos jogos pela frente. É possível dizer que o XV tem dois times, um para o Paulista A2, inferior e que pode ficar fora da próxima fase do campeonato, se não ganhar, pelo menos, do Ituano e do Água Santa nas duas próximas partidas. E um time para o Brasileirão, reforçado por jogadores novos, que fizeram uma ótima partida inicial.
O torcedor fica perdido diante do que está acontecendo e pouco entende a oscilação quinzista, que pode ser um fiasco no Paulista e um sucesso no Brasileirão. Claro que é ainda muito cedo para avaliação. Uma coisa é certa, ser corneteiro tem seus limites. Como o XV de Novembro está praticamente com dois times para dois campeonatos, é preciso ser um corneteiro seletivo. Como diria Caetano Veloso, Fernando Marchiori confundiu a cabeça de vocês.




