'Você é mais bandido do que eu!'
Primeira Hora: Um jogo de palavras contra palavras, portanto; de retórica contra retórica
A melhor defesa é o ataque, como já dizia Napoleão. A frase é também considerada uma obra de velhos e folclóricos esportistas. Mas cabe na política em voga da mesma forma, uma vez que ela se tornou verdadeiro campo de guerra, tendo os principais nomes do STF na linha de frente do fogo inimigo, o Brasil. Falar mal do STF tornou-se o esporte preferido da nação.
Vamos dar sequência ao caso Gilmar Mendes e sua representação junto à PGR para que Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado no Senado, seja investigado.
Por que o decano do STF acionou seu amigão, Paulo Gonet, para cumprir o serviço sujo? Quero dizer, o serviço de pedir a abertura de um processo investigativo contra Alessandro Vieira?
Porque Gilmar não gostou de ser citado no relatório final e ver seus pares serem citados com ele, a fim de indiciamento, mesmo o documento tendo sido rejeitado pelo Senado após ação do Governo Lula. Vingança. Gilmar contra-ataca.
Considerou o doc uma afronta de Vieira contra o STF. O parlamentar “vale-se de juvenil jogo de palavras envolvendo os crimes de responsabilidade”, por isso Gilmar considera cabível “realizar indiciamentos a respeito dessa temática, quando isso não corresponde à realidade”.
O contrário, para Gilmar é impensável. Raciocínio de mão única e de uma arrogância atroz.
Fica evidente que, para Gilmar, Vieira mente e ele fala somente a verdade, nada mais do que a verdade, pois tem o domínio da realidade, como afirma. Vieira reage.
Segundo o senador, o ofício ministerial tenta construir esse elemento subjetivo por meio de expressões como ‘ardilosamente’, ‘rudimentar jogo de palavras’ e ‘teratologia’.
“Essas qualificações, contudo, são manifestações opinativas do próprio interessado – que, vale ressaltar, é ao mesmo tempo requerente e suposto ofendido -, e não elementos probatórios idôneos a demonstrar a finalidade específica exigida pela lei”,
Um jogo de palavras contra palavras, portanto. De retórica contra retórica.
Me diga? Quem está com a razão? Gilmar, por sua arrogância natural de se achar sempre com a razão? Vieira, que enfatiza ter elementos probatórios para fechar o documento com tais nomes indiciados? Acareação!
Gilmar, inclusive, disse antes de tentar enquadrar Vieira, que o senador tinha relação com milicianos. A frase final de Gilmar, pelo subentendido de seus ataques, é a seguinte: “Você é mais bandido do que eu!”. Eureka! Autocondenação.




