#Late adopter. Levanta a mão quem é atrasado que nem eu
Se errei em alguma referência a filmes e séries antigos, é só dar CTRL+Z
Como viram no artigo anterior (“Sessão Preguiça”, clique aqui se não leu) sou um late adopter - um “adotante tardio” . Ou seja, vocês jamais me verão numa fila para comprar o mais novo CD do Arctic Monkeys.
(Entenderam o drama? Quando digo late, é late mesmo - pois ainda acho que existem filas para comprar CDs - ou que ainda existem CDs para vender).
“Ártico” quem?
Culturamente, sou do tempo que um late adopter era uma pessoa demodé, e o early adopter era prafrentex. Assim falavam os meus pais, ainda somos os mesmos, e vivemos.
(Para quem não se ligou ainda - por ser late adopter - do que seja um early adopter, lembrem-se de quando viram, no Jornal Nacional ou da Globo, aquelas reportagens mostrando filas que davam nó no quarteirão, em Nova Iorque, com milhões de pessoas se acotovelando na frente das portas das lojas querendo ser as primeiras pessoas do mundo a comprarem, e ostentarem, um iphone. Não sei se expliquei direito, mas não sei achar exemplo melhor do que é ser um early adopter.)
Não sou de adotar novas tecnologias, não sou cliente de primeira hora nem ferrando. Demorei muito tempo para ter um celular, e depois, um smartphone - que um conhecido teimosamente, misturando pedantismo com lacração, chama de “espertofone”, só para causar. Ou farmar aura, sei lá.
Só quando tive que adquirir um celular mais avançadinho o suficiente para entrar no Whatsapp, eu entrei na onda, o emprego exigia, o celular antigo não pediu desculpas, recusou-se a ajudar.
Tinha um telefone fixo, parafusado na parede da cozinha de casa, até outro dia.
Engraçado isto, porque fui o primeiro na minha família a usar um computador, num curso de computação (!) em 1986, e era um Apple II. Em 1992, mal tinham aberto o mercado para importação de 386s e eu já estava trabalhando com dois ancestrais do Photoshop (o Banner, ainda no MS-DOS, e o PhotoStyler) para manipular imagens (ho ho ho), e o WordPerfect para textos.
Acho que deu tilt na minha cabeça (jovens, tradução: “minha cabeça flopou” ou “minha cabeça ficou bugada”; digamos até que tudo “crashou” e o meu entendimento ficou “lagado”) de mexer tanto com Paintbrush, Windows 95, PageMaker, Coreldraw 3 a 7.0. Tinha época que eu fazia alguma errada em casa, como colocar açúcar em lugar do sal no ovo frito, e eu queria dar Control+z. Pilotos idosos de Coreldraw entenderão.
No quesito “filmes e séries”, que para mim estava agrupado em “TV”, hoje não mais, estou bem defasado, mas não ligo muito para isso. Estou tirando o atraso aos poucos na “Sessão Preguiça Colorida” (leia aqui, tive coragem de fazer um artigo só sobre isso, olha o tempo sobrando).
Não assisti a Game of Thrones. Não assisti, ora bolas, a Lost. Não assisti a Sex and the City. Mas assisti, bastante, a Friends.
Fui assistir a Breaking Bad muito tempo depois que acabou o hype, e graças a Deus, consegui pegar Better Call Saul, assistir tudo e ainda pegar os episódios lançados semanalmente. (Às vezes eu corro na frente, fico up to date uns meses, depois volto tudo para trás.) Tenho certeza que são as duas melhores séries que assisti na minha vida.
Melhor que “Breaking Bad”, só “Better Call Saul”.
Também assisti House of Cards, a todas as temporadas. Até anteontem estava na dark list dos politicamente corretos, por causa de Kevin Spacey. Parece que depois de amanhã vai poder gostar de novo, vamos ver.
Cantinho Nerd / Geek: Star Trek e Star Wars. Para um trekker dizer isto, foi a custo, mas pensando bem, está difícil pensar em voltar a assistir Star Trek. A série derivada Discovery meio que estragou tudo, ainda estou com o gosto ruim na boca. Achei tão ruim que estragou as outras das quais tenho boas lembranças. Explico muito brevemente: da série original até todas as outras, menos Discovery, tudo parece agora a construção de um universo para ser reinterpretado de forma bem tosca em Discovery.

Ou seja, a superprodução, com efeitos especiais de primeira e orçamento alto, torna Discovery parece mais verossímil, embora os roteiros sejam péssimos, cheios de lacração e pautas bem distantes das séries de Star Trek originais, que tinham ótimos roteiros mas tudo feito com tesoura e cola, papel machê e cartolina, e aliens com fantasias da aula de educação artística.
Discovery não parece mais Star Trek, está mais para... qualquer outra coisa. E ainda estragou as séries originais, porque a inverossimilhança delas, mesmo com histórias supimpa, dá a impressão que é tudo fake, feito para ser desmistificado na série mais nova. Ou que é um universo-espelho (e é essa a explicação mesmo que dão na série), um expediente fácil que virou deus ex machina da franquia. Pronto, falei.
Vi alguns episódios de Strange New Worlds, mas parece que é uma série inteira feita para fan service - o “jargão técnico” dos geeks (o nome fresco de quem gosta de séries, filmes e gibis daqueles que antigamente eram só chamados de nerds) para “quero uma série coalhada de referências às series que deram origem a esta série”. No começo é divertido, depois fica beeeem chato. Gostei mais de Enterprise, mais honesta em tentar fazer algo original, embora seja irregular.
Também gosto de Star Wars. Mas a nova trilogia com a Rey Palpatine (ops, spoiler! Estraguei a sua experiência? Vai por mim, não vale a pena) também estragou tudo para mim. Lembrar ainda que insisti, assisti a Obi Wan, desisti. Hoje só gosto de lembrar de Rogue One e The Mandalorian. Assistir de novo é outra história. Assisti a Andor e o que me estraga são duas coisas: a seriedade, que torna difícil achar que é Star Wars - como Discovery do universo de Star Trek, acho que se leva demais a sério. Se esquecer que é SW, melhor. Mas não me cativou a ponto de assistir mais episódios. E a segunda coisa é que eu fico o tempo todo me lembrando que em Star Trek há os andorianos, aliens com pele azul. E perco a concentração.
Não, não estou animado para ver O Mandaloriano e Grogu. Parece um filme com gosto de golpe do baú, conto do vigário, tigrinho. Sei lá se me explico.
Vou usar a minha preciosa falta de tempo e saturação de telas assistindo a filmes e séries que não queiram me vender bonequinhos.




