Quem leu o primeiro artigo escrito por mim, e publicado hoje (clique para ler), nesta Revista de Domingo, sobre a exposição Caipiras: das tropas às modas de viola , que traz de forma inédita 11 obras de Almeida Júnior à cidade, deve estar pensando: “Esse cara deve ser maluco. No mínimo, bipolar”.
Calma. Minha irritação foi com a abordagem da curadoria quanto às obras do acervo riquíssimo da Pinacoteca do Estado de SP. Sobre isso, recomendo: não estraguem a experiência de contemplar obras de arte belíssimas lendo os textos explicativos da curadoria. Tenho certeza que você vai se irritar, como eu.
Eu digo: visitem sim a exposição. Vale muito a pena ver as obras originais, pintadas pelos próprios artistas, não só os 11 tesouros de Almeida Júnior, mas também os de Pedro Alexandrino Borges, Oscar Pereira da Silva, Debret (uma gravura), Rugendas (também uma gravura), Henrique Bernardelli, e o que talvez seja o segundo maior tesouro desta exposição: um conjunto de aquarelas de Miguelzinho Dutra.
O que será maravilhoso é contemplar obras que não estão na mostra permanente da Pinacoteca do Estado. Portanto, nem mesmo os frequentadores habituais daquele museu costumam ver tais pinturas ou esculturas; não perca a oportunidade.
Mas é claro que é uma oportunidade de ouro ter aqui, pertinho, na nossa porta, a visão dos artistas, especialmente Almeida Júnior, sobre os caipiras, e deixar que cada obra fale por si, a cada um.
Se as obras têm “ideias erradas”, ou mostram “conceitos ultrapassados”… cabe somente a você, espectador, decidir.
Por mais que possa parecer que não merecem nossa visita, por mostrarem alguma ideia que desagrade a alguém, confie ao menos naqueles nossos antepassados, que, parece, tiveram sensibilidade suficiente para guardar quadros e esculturas, e não memórias de bombas nem de armas; e que se preocuparam em construir um lugar, e um dia guardaram estas obras, pensando talvez:
“Nossos netos e bisnetos talvez gostem dessas pinturas, esculturas, desenhos; nós gostamos, espero que eles gostem também”. Por terem sido bem pintadas, por abordarem determinado assunto, por terem sido símbolos visuais de movimentos sociais ou simplesmente por serem bonitas, belas, ou até maravilhosas.
Vamos confiar, mesmo que um pouquinho, na sensibilidade e amor de alguns dos ancestrais que gostavam de Arte.
Justamente por confiar nesta sensibilidade e amor à Arte que rejeito abordagens como a do curador desta mostra. Não para odiá-lo, mas para odiar sim a mentalidade que gerou a abordagem.
Pensamentos como os demonstrados por ele somente desagregam, fazer odiar, abrem feridas antigas já cicatrizadas. Instigam raiva e inflama ressentimentos.


Tivemos duas obras do artista Almeida Júnior expostas em Piracicaba, antes da mostra de 2026:
Obra: “Bandeirante”. Local da exposição: Nova sede da Acipi - Associação de Comércio e Indústria de Piracicaba, em exposição integrante da 22.a Mostra Almeida Júnior, da Apap - Associação Piracicabana de Artistas Plásticos.
Provavelmente, foi um desenho preparatório para estudo de “Partida da Monção”, quadro hoje no acervo do Museu do Ipiranga (Museu Paulista). O desenho integra a coleção particular de Marcelo Batuíra Losso Pedroso. Infelizmente, não encontramos imagens da obras para reproduzi-la aqui.

Obra: “Salto de Itu (piquenique da família do dr. Elias Pacheco e Chaves)”, 1886. Óleo sobre tela. 134 x 199cm. Acervo do Museu Paulista (Museu do Ipiranga); em exposição no Museu da Convenção Republicana de Itu.
A obra foi exposta na Galeria do Engenho, em 1997, sob curadoria de Ésio Pezatto, na gestão da secretária municipal de Ação Cultural Cida Abe.




teve tbem uma exposição de "Caipira picando fumo", no Sesc Piracicaba, em um evento sobre a cultura caipira. Não me lembro o ano.