Revista de Domingo, número 11
31 de maio de 2026: confira o que preparamos para você nesta revista
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EDITORIAL
Não há perspectivas, somente ruas e avenidas
Nossos colunistas da Revista de Domingo hoje, apresentam hoje textos que poderiam ser comparados à velhíssima, batida, manjada, imagem das duas faces de uma moeda: de um lado, as parcas esperanças decantadas em pessimismo por nosso Paracelso plantonista, o Romualdo. De outro, o saudosismo transmutado em vil metal, ouro de tolo, da nostalgia do Fábio.
Imagens que mostrem dois aspectos de uma mesma questão abundam, em manuais antigos, encontrados em sebos que ninguém mais frequenta, assim como em pdfs facinhos e até cursos de espertalhões que mexem com a vaidade de seus potenciais clientes, na internet. Como um espelho de Narciso, clichês voam por todos os lados, e seus arautos e mascates acabam alcançando êxito, deitando-se em leitos de Procusto, duvidosos mas que engordam vários de seus porquinhos virtuais.
Este editorialista quer dizer somente, por falta de inspiração e de musas que lhe soprem algo que valha a pena em seus ouvidos numa manhã de domingo preguiçosa, que a falta de perspectivas na política da nação, não enxergar nenhum líder que traga alento no horizonte, aquém ou além, enfim, o pessimismo de RCF é rebatido, como uma face de moeda desanimada, pela nostalgia precoce de FSJ, que se lança a um passado, como diriam os norte-americanos, “just around the corner”, virando-se a esquina do tempo.
Fugir do presente desesperançado, mesmo com a certeza apoiada no balcão dos números e gráficos de qualidade de vida, afirmar-se muito melhor que o dos tempos onde havia menos comida, telefone e outros serviços, é reação humana, e portanto, bastante irracional. Mas conforta, mesmo que só na lembrança, pensar que outros tempos eram melhores, mais abundantes e inocentes.
O mar da política não está para peixe. Mesmo que tempos bicudos, possivelmente, fossem propícios para bicar uns lambaris ao menos no rio, deixando o mar para empreendedores mais audaciosos, como os tubarões e suas versões fantasiadas de peixes-palhaços.
O título do nosso Editorial faz referência à canção de Itamar Assumpção, “Não há saídas”, composta em parceria com Régis Bonvicino. Aparentemente, os poetas falam do sufocamento urbano. Mas a dimensão metafísica das duas linhas de poema é evidente. Cada vez nossa realidade é traduzida por poetas e músicos de gerações passadas, nossa cultura está tão empobrecida que até poetas antenados com a atualidade estão em falta, não há IA que chegue para tanta pobreza espiritual.




