Revista de Domingo, número 20
02 de agosto de 2026: confira os textos que preparamos para você
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Editorial
Nostalgia de uma Piracicaba só nossa
Esta Revista de Domingo está nostálgica. O aniversário de Piracicaba, que celebrou ontem 259 anos de sua fundação oficial, nos levou naturalmente a esta moção da alma. Que ao lembrar-se dos tempos que já foram, também nos recordam daquilo do que passamos para nos tornarmos o que hoje somos.
Podemos ser muita coisa, podemos ser alguma coisa, podemos não ser nada. Tudo depende de quem olha e como olha. Alguns olham para si mesmos e projetam seus fracassos, conquistas, êxitos e defeitos em toda a cidade. Miram-se no espelho de sua comunidade e enxergam um sinônimo da sua vida.
Assim, Piracicaba pode ter muito do que se orgulhar coletivamente, ao longo de dois séculos e meio, ou tem muito do que se envergonhar, apesar de se terem passado 259 anos e não ter resolvido alguns problemas básicos. Dependendo da pessoa que olha, pode enxergar pelo telescópio somente uma mancha de sujeira na lente, ou descobrir os anéis do planeta Saturno.
Romualdo olhou para a Piracicaba do passado e vê a si mesmo moleque de pés descalços e sujos num bairro que na sua época estava entre o campo e a cidade, a Vila Independência, de uma forma que teria agradado a Tales Castanho de Andrade. Ele nos apresenta dois textos onde as lembranças são quentes como uma caneca de café com leite da vó, engraçadas e também com tragédias do cotidiano, desta forma vistos pelos olhos de criança, ou da criança que um dia foi o autor, ou como ele mesmo diz, da criança que o levou de volta àquele tempo e lugar. E para não perder o costume, em seu terceiro texto, um comentário sobre as derrapadas da semana que passou, de Lula a Flávio, de Wagner a Tereza Cristina, e outras patinadas envolvendo Lulinha, o Careca do INSS, Vorcaro e muito mais.
Fábio vai se lembrar dos primeiros textos escritos em Piracicaba sobre os artistas plásticos da terra, escritos por João Charini e Archimedes Dutra, e como iniciou-se essa tradição local de nos enxergamos como um “celeiro de artistas”, uma “Florença Paulista”, ou brasileira, como queiram. Noutro texto, vai falar de como a nostalgia, um sentimento nada racional, pode gerar ideologias e estratégias de ação que podem ser equivocadas... tanto à direita como à esquerda, sem distinção. E ainda, motivado pelo aniversário de Piracicaba, fala do nosso apego à terra contraposto à nossa tão propalada vanguarda, o que gerou a frase aqui no Viletim, uma espécie de lema que descreve essa aparente contradição: “Piracicaba, tradição em ser moderna”.
Sejam bem-vindos à Revista de Domingo número 20. Boa leitura!
CONFIRA NESTA EDIÇÃO:
Flashes de uma memória que se perdeu no tempo
Hoje, Piracicaba completa 259 anos. Faz tempo que eu a conheço, mas nem tanto assim. A Vila Independência da minha infância era praticamente uma área rural e Luciano Guidotti iniciava o asfalto de todas as ruas, como parte do seu projeto urbanístico.
Narrativas fundadoras da História das Artes Plásticas em Piracicaba
À esquerda, o professor e artista Archimedes Dutra, à direita, o professor, advogado e folclorista João Chiarini. As duas fotos foram retocadas por IA (ChatGPT).
O anel de Isabelzinha
Isabelzinha, como eu poderia te esquecer? Não é verdade que roubei o seu anel. Meu coração estava abalado e foi apenas um impulso. Eu precisava ter algo concreto para manter o seu nome na minha memória e sabia também que aquela seria a minha última oportunidade, porque você já estava de malas prontas para voltar à sua terra natal, com os familiares. Ouv…
Dias de nostalgia (e idealização) de um passado perfeito
Pesquisar e escrever sobre história é interessantíssimo, muito prazeroso, para quem se locupleta – (forma culta, mas pedante, de dizer que “preenche um vazio interior”) com o passado, sente satisfação em conhecer e aprofundar-se nas histórias e feitos dos nossos antepassados. Mais que um entretenimento, pode s…
Derrapadas da semana
Flávio Bolsonaro viu escapar a oportunidade de ter Tereza Cristina (PP) como vice. Seria um bom nome para melhorar a sua imagem. Foi uma barrigada. Tereza Cristina é de partido do Centrão, que não larga o poder nem a pau, assim como o PL de Flávio.










