Revista de Domingo, número 16
05 de julho de 2026: confira os textos que preparamos para você
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Participação especial de Amélie Poulain, apresentando nossos biscoitos finos.
Editorial
O biscoito fino
Se não tem graça, a gente coloca graça. Se não tem cor, a gente carrega nas tintas. Se não tem sabor, a gente enche de açúcar. Mas não vamos deixar de falar sobre certos temas só porque eles não enchem os nossos olhos de vontade. Tem assunto que é um pé no saco, mas precisa ser enfrentado com alegria.
A Revista de Domingo é nostálgica de um tempo que não existe, de uma cidade que brinca com a vida, mesmo que a vida esteja por um triz. Não dá para esperar o tempo passar para simplesmente percebermos que estamos velhos.
A linguagem nos dá esse direito à liberdade. Por isso é um pecado pensarmos em Tofolli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes nesse momento. Eles são poliglotas na língua dos imbecis de toda espécie.
Nossa vibe é outra. E tem o seguinte, se não conseguimos o nosso intento, vamos tentando. Quem nos acompanha sabe da nossa impertinência. Em último caso, peidamos, como o homem de um cabaré em Paris que peidava a Marselhesa. Acho que na próxima edição contaremos essa história com mais detalhes.
Não estamos brincando, não. O cidadão ficou rico usando apenas o fiofó, com um sucesso invejável, com todas as notas de um hino maravilhoso, plagiado pelo Brasil dos inconfidentes. Mas vamos com calma. Este é apenas um editorial para chamar a atenção para o biscoito fino que produzimos. Desculpa o plágio.
CONFIRA NESTA EDIÇÃO:
Deus da Matemática
Eu gosto de recontar histórias. Principalmente as de infância. Porque elas voltam com um emaranhado de fantasias, como se fosse sempre domingo de manhã, com sol primaveril e um tempo infinito para brincar.
O bom selvagem da sofística
Mario Sergio Cortella gosta de afirmar uma ideia da qual eu compartilho, quando o assunto é fazer o certo ou o errado: “Não faça nada que você não possa contar para a sua mãe”. É uma forma caseira de dizer que o crime não está liberado para a pessoa que busca o bem comum.
Estranha gente
Peço perdão por estar fora do hype. Nada de Copa do Mundo nem jogo do Brasil. Nada de política, nem as últimas do sr. Musk, SpaceX, NVIDIA, ChatGPT nem Gemini da vida. Nada de nada. Volto ao meu umbigo, ao umbigo de que tem barriga grande o suficiente para apoiar um copo e um livro. Ou seja, volto aos livros.
A jangada nacional
A melhor coisa para se comentar no momento? Copa do Mundo, claro. Com a beleza das jogadas e Leonel Messi, a Argentina avança, para a tristeza da equipe de Cabo Verde, liderada por @vozinha. O time africano marcou fundo o coração dos seus torcedores. Ficou na memória por sua garra, destemor e jogadas brilhantes. Por isso, não dá para dizer que Cabo Ver…
Os apostos entre travessões, e a IA do Mallandro.
O uso dos travessões, ou hífens - desta maneira, como um aposto - no meio da frase, está sendo vendido como um sinal de que uma IA escreveu o texto. Êpa. Sempre gostei de usar o recurso - não que eu seja referência de estilo, nem modelo para ninguém na fila do pão.
E a política, como vai? Vai sim senhor
Ai, a política. Dizem por aí que o homem é um ser político, porque vive na pólis, na cidade. Prefiro ser ermitão e viver em minha caverna. Sempre que tento abordar o tema política me vem uma sensação de fracasso antecipado. Não vencerei esta empreitada.
"Meu texto tem emoção, nunca uma IA fará algo igual"
Pessoas se gabando porque descrevem a tristeza de quando o cachorrinho morreu, quando tinha seis anos de idade. Ou na semana passada.












